quinta-feira, 20 de março de 2014

Modelo apontam soluções para crise carcerária no Brasil

Modelo apontam soluções para crise carcerária no Brasil

Presídios pequenos, onde os presos trabalham e estudam são considerados mais eficientes
Unidades prisionais pequenas, estímulo do contato dos detentos com suas famílias e com a comunidade, trabalho, capacitação profissional e assistência jurídica eficiente. Essas são algumas das características de prisões consideradas modelo que já funcionam pelo país. Elas estão sendo tratadas pelas autoridades como possíveis soluções para os problemas do sistema prisional brasileiro.
O sistema carcerário do país já foi classificado de "medieval" pelo próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Entre seus principais problemas estão os assassinatos, a superlotação, a falta de infraestrutura e higiene, os maus-tratos, a atuação do crime organizado e os motins.
Há pouco mais de dois meses essa realidade veio à tona com a explosão de violência no complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão – que resultou na intervenção da Força Nacional após o assassinato de cerca de 60 detentos no período de um ano.
A crise acabou sendo amenizada com ações emergenciais, mas, para analistas em segurança, a única forma de evitar explosões de violência como essa é fazer mudanças estruturais nos sistemas carcerários dos Estados.
A BBC Brasil ouviu uma série de juristas e especialistas no setor prisional para levantar os problemas e fatores que podem nortear esse tipo de mudança.

Raíz do problema

Segundo o especialista em segurança pública Cláudio Beato, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, a violência dentro dos presídios está diretamente relacionada com a insegurança nas ruas.
Como o Estado falha em garantir a integridade dos presos em muitas unidades prisionais, segundo ele, para se proteger, os detentos se organizam em facções criminosas. Porém, esses grupos evoluem criando redes de advogados, formas de financiamento, obtenção de armas e assim elevam o crime para um nível mais nocivo, que afeta toda a sociedade.
"As prisões são as responsáveis pela mudança do patamar do crime no Brasil", afirmou.
A primeira forma de mudar a realidade carcerária seria então fazer o Estado cumprir seu papel de garantir a segurança dos detentos. Mas é mais difícil fazer isso em unidades prisionais enormes e superlotadas.
"Unidades (prisionais) pequenas e próximas da comunidade com a qual o detento tem laços: essa é a melhor forma para colaborar com a sua recuperação", afirmou o juiz Luiz Carlos de Resende e Santos, chefe do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, um órgão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Segundo ele, há atualmente no sistema prisional do país algumas unidades que possuem essas características e poderiam ser tomadas como modelos.
Santos diz que, na maioria dos casos, o bom funcionamento dessas prisões está diretamente relacionado a uma determinada gestão ou administrador. Por isso, a maioria das boas experiências acabam surgindo e desaparecendo em um movimento cíclico.
Ainda assim, algumas delas têm perdurado por anos e estão chamando a atenção dos especialistas do setor.

Modelo Apac

Um dos modelos positivos citados por analistas é o da Apac (Associação de Proteção e Amparo aos Condenados). Ele funciona em mais de 30 unidades em Minas Gerais e no Espírito Santo e abriga aproximadamente 2,5 mil detentos.
O modelo tem uma forte ligação com a religião cristã – fato criticado por alguns especialistas. Suas características principais são proporcionar aos presos contato constante com suas famílias e comunidade, ensinar a eles novas profissões - como a carpintaria e o artesanato – e não usar agentes penitenciários armados na segurança.
Uma das principais vantagens do sistema é a baixa taxa de reincidência dos detentos no crime – entre 8% e 15%, segundo o CNJ. Nos presídios comuns ela pode chegar a 70%, de acordo com a entidade.
Mas para que o modelo dê certo, os presos (dos regimes fechado e semiaberto) que participam dele são cuidadosamente selecionados. Detentos com histórico de violência e desobediência, além de líderes de facções criminosas, geralmente não têm acesso a essas unidades. Mesmo assim, segundo Santos, o índice de fugas ainda seria maior que o do sistema penitenciário comum.
"O modelo da Apac é interessante e funciona muito bem para os presos menos perigosos e eles são a grande maioria (da população carcerária do país)", afirmou Beato.

Modelo americano

Prisão baseada em modelo arquitetônico americano (foto:  Asscom / Sejus)
Estado do Espírito Santo reformulou seu sistema prisional em dez anos
Há pouco mais de dez anos as unidades prisionais do Estado do Espírito Santo viviam uma situação de caos, com um cenário de superlotação, escassez de agentes penitenciários e falta de um modelo de gestão.
Os detentos chegaram a ser colocados em penitenciárias provisórias, nas quais as celas eram feitas de contêineres – o que gerava um calor insuportável e tornava o ambiente insalubre.
A situação caótica virou alvo de críticas de juristas e ativistas, que chegaram a denunciar os abusos a organismos internacionais de defesa de direitos humanos.
"Foi uma época em que vivemos uma situação semelhante à que o Maranhão vive hoje, as celas metálicas foram uma solução imediata para desafogar as unidades e depois reconstruir o sistema", disse o secretário de Justiça do Espírito Santo Eugênio Coutinho Ricas.
O governo local então decidiu investir mais de R$ 450 milhões em um processo de criação das atuais 26 unidades prisionais capixabas.
A construção delas foi feita por empresas estrangeiras e seguiu um modelo arquitetônico padronizado criado nos Estados Unidos. Cada unidade abriga no máximo 600 detentos (Pedrinhas, por exemplo, tem cerca de 2,2 mil presos). Eles ficam divididos em três galerias de celas e não se comunicam.
Os edifícios têm ainda salas específicas onde os detentos participam de oficinas profissionalizantes ou recebem atendimento odontológico e psicológico.
Segundo Ricas, o modelo diminuiu a quantidade de fugas e tumultos e dificultaria ainda a organização das facções criminosas. O esforço do Estado é visto pelo CNJ como um exemplo positivo, segundo o juiz Santos.

Modelo espanhol

Estados como Alagoas, Goiás e Mato Grosso do Sul, entre outros, estão apostando em unidades prisionais de excelência que investem na ressocialização dos presos.
O alagoano Centro Ressocializador da Capital é uma dessas prisões. Segundo o tenente-coronel Carlos Luna, superintendente geral de administração penitenciária de Alagoas, a experiência se baseia em um modelo espanhol e parte do princípio de que um tratamento respeitoso é essencial para a ressocialização dos detentos.
Contudo, uma seleção rigorosa faz com que apenas presos com bom comportamento, que nunca tenham participado de motins e que aceitem participar da experiência sejam selecionados. Eles só são transferidos do sistema carcerário comum para a unidade depois de passar por uma avaliação psicológica onde devem mostrar "vontade de mudar de vida".
Diferentemente da maioria das prisões no Brasil, sobram vagas na unidade, que foi construída para abrigar 155 detentos, mas tem atualmente pouco mais de 130. Os detentos não podem usar entorpecentes e todos eles trabalham na manutenção da unidade e em empresas conveniadas. Até presos que cumprem pena no regime fechado são autorizados a sair desacompanhados para trabalhar.
Ao acabarem de cumprir suas penas, os detentos são encaminhados para convênios do governo com empresas, para a colocação no mercado de trabalho.
"Conseguimos baixar o grau de reincidência para 5%", disse Luna.
Porém, a realidade da unidade é muito diferente do restante do sistema prisional do Estado. "É complicado aplicar esse modelo em unidades grandes", disse.

Ênfase no trabalho

Segundo o CNJ, uma unidade prisional que aplica aspectos positivos no regime semiaberto é o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, no Mato Grosso do Sul.
Sua principal característica é a ênfase no trabalho, uma vez que a unidade possui nove oficinas de trabalho remunerado – em áreas como tapeçaria, produção de contêineres e portões e cozinha industrial.
Muitos dos presos exercem essas atividades fora do presídio e são as próprias empresas que se responsabilizam pelo seu transporte e medidas de segurança.
Em paralelo, os detentos participam de tratamento para se livrar do vício em entorpecentes.

Atualizado em  20 de março, 2014 - 05:55 (Brasília) 08:55 GMT

Novo equipamento leva mais segurança ao sistema penitenciário do Paraná

Novo equipamento leva mais segurança ao sistema penitenciário do Paraná

Foi inaugurado nesta quarta-feira (19/03), na Casa de Custódia de São José dos Pinhais (CCSJP), um novo equipamento que dá maior segurança ao sistema penitenciário do Paraná. É o Scanner Corporal ou “Body Scanner”, que permite uma visão minuciosa de quem entra no estabelecimento prisional, detectando qualquer tipo de metal, armas, drogas, explosivos, celulares, próteses e demais objetos estranhos que possam estar escondidos em roupas, sacolas ou no interior do corpo humano.

Somente em 2013 foram apreendidos 5.871 aparelhos celulares e 52 quilos de maconha, além de outras drogas e objetos proibidos, nos 33 estabelecimentos do sistema penitenciário do Paraná. “O uso desse recurso tecnológico vai coibir a entrada desses objetos e drogas e levar mais segurança aos agentes penitenciários, demais servidores e visitantes”, garante a secretária da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes. Além disso, vai gerar menor custo em recursos humanos e proporcionará “maior respeito aos visitantes, pondo fim a revistas consideradas invasivas”, afirmou ela durante a inauguração do equipamento, que contou ainda com a participação do diretor do Departamento de Execução Penal (DEPEN), Cezinando Paredes. 

O diretor da CCSJP, Jeferson Medeiros Walkiu, destaca que a unidade vai ganhar em segurança e agilidade. “A revista manual de uma visita feminina, que é a grande maioria dos que visitam a nossa unidade, levava em média 6 a 8 minutos. Agora, com esse equipamento, vamos demorar, no máximo, um minuto”, disse. 

A partir de abril, outras quatro unidades penais do estado também receberão o aparelho. São elas a Penitenciária Estadual de Londrina II (PEL II), Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu II (PEF II), Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC) e o Complexo Penitenciário de Piraquara. Neste último, o aparelho será utilizado por todas as sete unidades ali localizadas.

Esses equipamentos serão usados na inspeção de visitantes e servidores públicos que trabalham diretamente com mais de 10 mil presos, dos 18 mil sob custódia da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SEJU). Os scanners foram locados por três anos da empresa Smiths Detection do Brasil Comércio de Equipamentos Ltda., a um custo mensal total de R$ 88.000,00.

EQUIPAMENTO – Pela alta tecnologia aplicada, segundo o fabricante, o modelo de Scanner Corporal (B Scan 16 HR-DV), que começa a ser utilizado no sistema penitenciário paranaense e é utilizado também em aeroportos, alfândegas, estações ferroviárias e área de mineração, possui qualidade de imagem de excelente definição, emitindo baixa dose de raios x. “A emissão é de 0,1micro Sv/por varredura e a dose máxima requerida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN é de 1micro Sv”, informa a empresa. 

Com inspeção rápida, em que uma única visualização é suficiente para o escaneamento completo do corpo humano, o aparelho suporta escaneamento local onde o operador pode selecionar e inspecionar uma área específica com foco diferente, evitando escaneamento desnecessário na inspeção de pessoas. A área de inspeção proporciona a comunicação entre o operador e o usuário por meio de sistema integrado de áudio e vídeo. As características faciais e informações das pessoas inspecionadas podem ser salvas e, se necessário, combinadas com as imagens obtidas.

Fonte e Fotos: AEN

Com menos de 1% dos detentos, Apacs são alternativa para ressocialização



Apacs não têm carcereiros armados

Com menos de 1% dos detentos, Apacs são alternativa para ressocialização


Apacs são unidades prisionais administradas por ONGs e entidades da sociedade civil que, apesar de abrigarem menos de 1% da população carcerária brasileira, são apontadas pelo Poder Judiciário como um modelo mais positivo de ressocialização de presos em relação às prisões tradicionais.
Não há agentes penitenciários armados armados nas Apacs, e as portas das celas ficam abertas durante o dia. Os detentos são responsáveis pela limpeza e pela preparação da comida.
Mas críticos dizem que o sistema facilita a fuga de detentos (não há dados consolidados a respeito).
Além disso, muitos veem com ressalvas o forte elemento cristão das Apacs.
A reportagem da BBC Brasil visitou a Apac de Itaúna (MG), criada a partir da mobilização de um grupo da Pastoral Carcerária da Igreja Católica nos anos 1980.
Fonte: BBC
Imagens: Miguel Angel Herrera

Índice de reincidência no crime é menor em presos das Apacs

Índice de reincidência no crime é menor em presos das Apacs

Em 42 anos de existência, suas unidades nunca registraram uma rebelião ou assassinato.

A estrutura da prisão funciona com poucos empregados, alguns voluntários e com a cooperação dos presos, que trabalham em todos os setores – até na portaria e na manutenção da disciplina.

Isso faz com que o custo dos presos seja consideravelmente reduzido. Enquanto no sistema prisional comum, o custo mensal para manutenção de um preso varia entre R$ 1.800 e R$ 2.800, na Apac não ultrapassaria R$ 1.000.
Camas macias e banhos quentes

As celas do regime fechado em Itaúna, unidade da Apac mais antiga em funcionamento, abrigam quatro camas de cimento dispostas como beliches e cobertas por colchões de espessura média.


Sistema é apontado como forma para ressocializar presos

Há um banheiro com chuveiro quente em cada uma dessas acomodações. O pátio é coberto por uma grade de ferro e pode ser frequentado a partir das 17h, quando termina o turno de trabalho.

É um pequeno paraíso frente ao que costuma ser oferecido na maioria dos presídios do sistema carcerário nacional. Um relatório do Conselho Nacional do Ministério Público, que avaliou 1.598 prisões entre março de 2012 e fevereiro de 2013, constatou que quase metade das unidades não possuía camas para todos os detentos e cerca de um quarto delas não oferecia nem mesmo um colchão. Água quente, só em um terço dos estabelecimentos.

Na memória dos recuperandos, as diferenças são ainda mais marcantes. "A experiência no sistema prisional comum marca muito pela humilhação", diz Marlon Samuel da Silva, 33 anos, preso há quatro anos por tráfico de drogas.

Ele afirma que "lá embaixo", como se refere à cadeia comum de Itaúna, os presos apanhavam frequentemente. "Cada dia era uma 'escama' em uma cela diferente", afirma.

CliqueLeia mais: Prisões-modelo apontam soluções para crise carcerária no Brasil
Presos que cuidam de presos

Nas Apacs não há cercas elétricas nem câmeras de segurança. Um dos lados da unidade de Itaúna é delimitado apenas por uma cerca de arame farpado. No entanto, segundo seus administradores, há dez anos não há registro de fugas.

Contudo, segundo o CNJ, o índice geral de fugas em presídios que usam o modelo Apac ou semelhante – com sistema mais brando de segurança – costuma ser mais elevado que o do sistema prisional comum.

"Tratamos quem cumpre pena como sujeito de direitos e deveres. O ser humano tratado com respeito, responde com respeito", afirma o presidente da Fraternidade de Proteção aos Condenados (Fbac), federação que agrega as Apacs, Valdeci Antonio Ferreira.


Unidades não têm cercas elétricas ou câmeras de segurança

Para os entusiastas do método, uma das razões para os bons resultados é a responsabilidade dividida com os que cumprem pena. "Esse índice de não-reincidência se deve ao compromisso que os próprios recuperandos (presos) assumem de se reajustar à vida de forma honesta", diz o juiz de Itaúna, Paulo Antonio de Carvalho, um dos responsáveis pela implantação do método na cidade.

Assim, são os detentos que assumem funções como manter a disciplina em uma prisão que conta com apenas dois inspetores de segurança desarmados por turno.

Organizados no chamado Comitê Sinceridade e Solidariedade (CSS), os presos resolvem cerca de 85% dos casos de indisciplina aplicando sanções que vão de advertência verbal a isolamento nas celas.

Atrasos para as atividades diárias, falta do uso de crachá, cabelos desarrumados, tudo pode render punições, pois a disciplina é rígida. Faltas mais graves, como porte de drogas ou celulares, são imperdoáveis e podem resultar no retorno ao sistema prisional comum.

Já a boa disciplina pode resultar em regalias, como aluguel de DVDs nos fins de semana e banhos de lua.
Método não é prioridade

As Apacs estão hoje distribuídas pelo Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí e Minas Gerais, mas esse último tem 34 das 39 unidades.

O Tribunal de Justiça mineiro apoia os juízes na implantação do método em suas comarcas por meio do Programa Novos Rumos, criado em 2001. O Estado também aprovou uma lei que reconheceu as Apacs como aptas a firmar convênios com o governo. Desde então, verba governamental tem ajudado na construção – antes feita só com doações – e na manutenção das unidades prisionais.


Os próprios detentos cuidam da administração do local

Essas prisões são instituições privadas, sem fins lucrativos, que podem cuidar da tutela dos presos. Tecnicamente, é necessário apenas que o juiz concorde em enviar os presos para essas unidades, gerenciadas pela sociedade civil.

De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, a criação de uma vaga na Apac custaria R$ 27 mil, enquanto no sistema comum, esse valor oscilaria entre R$ 55 e 60 mil.

"Hoje, o melhor modelo para ressocialização dos presos é, com certeza, a Apac, mas ela é apenas uma das soluções", afirma o secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz.

Para o secretário, dois fatores impedem que o sistema penitenciário seja inteiramente baseado em Apacs. O primeiro é que nem todos os presos se adaptariam. "Não pela gravidade do crime, temos muitos homicidas nessas prisões, mas quando tratamos de lideranças de organizações criminosas é mais complicado", afirma.

A segunda dificuldade seria o tamanho da demanda. Esse modelo de prisão tem unidades pequenas, uma tentativa de individualizar as penas. "Uma das Apacs que serão construídas esse ano é em Uberlândia e abrigará 200 presos. Mas a cidade tem cerca de 2.500 detentos", diz

Atualizado em  20 de março, 2014 - 05:55 (Brasília) 08:55 GMT

domingo, 16 de março de 2014

Projeto Criando Cidadania através da Profissionalização - novas turmas formadas: pedreiro de alvenaria e armador de ferro


Turma de pedreiro de forma

Na manhã desta sexta-feira (14), egressos e pessoas em estado de vulnerabilidade social, receberam os certificados de conclusão do curso de qualificação de mão de obra de pedreiro de alvenaria e de armador de ferro. 

Turma de armador de ferro
Foram 43 formandos da quinta  e sexta turma realizado pelo Senai através do convênio com o Patronato Penitenciário Municipal de Foz do Iguaçu, em parceira com a Secretaria Municipal de Assistência Social, Consórcio Mendes Júnior e Shaimm,SENAI  e Conselho da Comunidade na Execução Penal.


O Conselho da Comunidade é parceiro desta iniciativa do Patronato Penitenciário Municipal de Foz do Iguaçu realizado por meio do "Projeto Criando Cidadania através da Profissionalização", criado internamente no Conselho para proporcionar aos presos, egressos e familiares o retorno ao mercado de trabalho. Nesta parceria o Conselho viabilizou os recursos financeiros para a aquisição dos vales-transporte dos alunos.

Na avaliação da Secretária de Assistência Social Claudia Pereira, “não adianta a pessoa fazer um curso, receber um certificado e não chegar ao objetivo que é o emprego. Nossa meta é que os empregos sejam formais no nosso município. O trabalho da Secretaria de Assistência Social através do Patronato Municipal é de trazer esses egressos para a formação, a fim de inseri-los no mercado de trabalho. Observamos que estas pessoas desejam dar uma guinada na sua vida, mudar o rumo. Elas vêm com essa garra e com muita determinação”, destacou a secretária.






A Diretora Geral do Patronato, e também presidente do Conselho da Comunidade de Foz do Iguaçu,  Luciane Ferreira disse que, “a conclusão do curso de qualificação de carpinteiro de forma, não é só uma vitória, é a construção de um objetivo, da conquista de autonomia financeira”, salientou. Acrescentou ainda que todos os alunos são acompanhados posteriormente pela equipe do Patronato e que o sucesso do programa se deve as parcerias. 

Na visão do Diretor Técnico do Patronato Penitenciário Municipal Alexandre Calixto, a conclusão do curso é fato determinante na vida de egressos e vulneráveis. Estabelece um divisor de águas. O programa oportuniza uma mudança real de vida, a partir de uma qualificação e também de um trabalho garantido. Onde eles terão salário, vale refeição, vale transporte, café da manhã e almoço. “Anteriormente a pessoa estava vivendo numa condição vulnerável, e agora tem um trabalho fixo, salário todo mês. Uma segurança que antes não tinha”, disse Calixto.



Eduardo Rodrigues de 21 anos, fez o curso de armador, “achei essa oportunidade excelente, já havia trabalhado com jardinagem e servente de pedreiro, me sai bem no curso, e trabalhar nesta obra da UNILA tem um grande significado para mim”, concluiu o formando. Uma das formandas mais animadas, Saionara Ferreira, tem 32 anos, já fez curso de auxiliar de cozinha, mas viu no curso de armadora de ferro, uma grande chance de mudar de profissão, “mesmo sendo mulher, o curso foi super  tranquilo, gostei muito”.

Os alunos que mais se destacaram, ganharam de presente um kit profissional, Pedro David Velásquez, foi um deles, fez o curso de pedreiro de alvenaria, “aprendemos bem mais do que esperava, na verdade qualifiquei o que já sabia nessa área, o mercado hoje busca um profissional diferenciado, e esse curso faz toda a diferença”




O Engenheiro Coordenador do Consórcio Mendes Junior Eduardo Braga de Oliveira deu as boas vindas aos formandos e destacou a importância de cada um se dedicar para crescer na empresa. “É muito gratificante participar dessa parceria e poder contribuir para formação e capacitação da mão de obra, oportunizar emprego a essas pessoas que buscam uma mudança de vida. E, a continuidade do programa, confere o caminho certo que estamos fazendo”, disse. E desejou que todos fossem muito felizes com o novo trabalho. 


Após a conclusão do curso, todos os formados terão a carteira de trabalho assinada pelo Consórcio Mendes Junior e Schahin e vão trabalhar nas obras da sede da UNILA.  Outros 76 alunos egressos receberam ertificação de conclusão do curso de Carpinteiro de Forma em 2013. No total já foram encaminhados para a empresa 119 assistidos.

Fonte e Fotos: Conselho da Comunidade com AMN