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quinta-feira, 30 de junho de 2011

CC na oficina de intervenção p/ controle da TB nas prisões

A presidente Luciane durante apresentação de trabalhos na oficina de controle de TB

A presidente do Conselho da Comunidade (CC) de Foz do Iguaçu, Luciane Ferreira, e a secretária, Fabiula Wurmeister, além do engenheiro da Secretaria de Estado da Saúde/9ª Regional de Saúde, José Lourenço de Lima, participam no Rio de Janeiro (RJ) da Oficina de Intervenção para Controle de Tuberculose. O evento que acontece nos dias 29 e 30 de junho reúne representantes de órgãos ligados à Execução Penal do Sul e Sudeste do país.

Promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Projeto Fundo Global TB - Brasil e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, a iniciativa tem como objetivo capacitar equipes para a realização intervenções ambientais nas unidades prisionais a fim de que se garanta condições mais salubres para profissionais e detentos.

A falta de ventilação e de iluminação natural nestes ambientes somada à superpolução favorece a disseminação de doenças respiratórias, especialmente a tuberculose. A incidência de novos casos de tuberculose nas prisões é, em alguns estados, até 38 vezes superior à da população em geral.

Segundo a médica responsável pelo Programa de Controle da Tuberculose da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SEAP-RJ) e consultora do Projeto Fundo Global, Alexandra Sanchez, um estudo realizado no Rio de Janeiro mostrou que a transmissão de 80% dos casos de tuberculose se deu já dentro do sistema carcerário.

Para reverter este quadro, a discussão em oficinas orienta e propõe soluções arquitetônicas que ajudarão a melhorar o manual desenvolvido pelo Projeto Fundo Global em parceria com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen / Ministério da Justiça). O documento torna obrigatória a adoção das novas regras para a reforma e construção de presídios com recursos do Depen.

Dividas por regiões, as oficinas foram realizadas primeiramente em Brasília (DF), nos dias 11 e 12 de maio, reunindo representantes dos estados do Norte e Centro-Oeste. Já os representantes do Nordeste reuniram-se nos dias 1 e 2 de junho, em Recife (PE).

Com Assessoria (Fundo Global)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Presas da Cadeia Pública fazem testes de tuberculose

Enfermeiros aplicam material sob a pele, para saber se pessoa está infectada; depois, exames verificam se houve desenvolvimento da doença


Em uma ação resultante dos trabalhos de uma comissão formada por técnicos das Secretarias da Justiça, Segurança e Saúde e do Departamento Penitenciário, detentas da Cadeia Pública Laudemir Neves receberam ontem a visita de enfermeiros da 9ª Regional e da Secretaria Municipal da Saúde. Acompanhados pela representante do Conselho da Comunidade de Foz, um dos órgãos que também integram a comissão — ao lado da Itaipu a Rede de Combate ao Câncer —, os profissionais da saúde submeteram as presas à prova tuberculínica. Depois de vários meses, a imprensa pôde entrar nas alas da unidade.

A ação na área de saúde é uma das primeiras a ser implantada na unidade depois que um diagnóstico apontou para os problemas de superlotação, com seis a sete presas por celas e condições de higiene e saúde precárias. Este quadro foi encontrado pela comitiva do Estado, que vistoriou a ala feminina nos dias 12 e 13 deste mês.

Um dia depois, na 9ª Regional de Saúde, o grupo se reuniu com a meta de encontrar formas de solucionar, o mais breve possível, tais problemas. Com capacidade para abrigar cerca de 130 presos, a unidade mantém, atualmente, mais de 300, sendo 121 apenas na ala feminina — três grávidas. Na visita, foi constado que duas detentas estavam com tuberculose.

Conselho

Vice-presidente do Conselho da Comunidade, Nila Leite lembra que a instituição está acompanhando não apenas o que vem sendo desenvolvido para as detentas, mas também dá suporte. Como lembrou, especificamente em relação aos testes, todo o trabalho se iniciou ontem e segue até a sexta-feira, 4 de junho. "Elas farão os testes para ver quem está com o bacilo (que causa a tuberculose) e após o dia 2 serão dados os resultados. Levando em consideração a estrutura que temos para trabalhar, a gente sabe que isso é muito importante, pois já houve casos aqui, de duas pessoas que já apresentaram o bacilo, foram isoladas e tratadas. Por isso, a 9ª Regional sentiu a necessidade de que fosse feito o teste e todas as formas de prevenção", resumiu Nila.

Como lembrou, frente a realidade da cadeia pública — que foi denominada pelo diretor-clínico do Complexo Penal do Estado, Carlos Alberto Peixoto Baptista, como "inóspita" — o trabalho feito pelos profissionais é de extrema relevância.

"Veja as condições daqui. É um local onde o vírus vai chegar e fazer a festa. Por isso é muito importante este trabalho. Agradecemos todo o empenho da 9ª Regional, que se mostrou muito disposta, e a Secretaria Municipal da Saúde, que também é muito parceira, sempre ajudando".

O próximo passo na área da saúde se inicia em 17 de junho, quando as detentas receberão um atendimento mais amplo, visando a detecção de várias doenças, como a hanseníase. Para isso, serão usados os ambulatórios das Penitenciárias Estaduais de Foz do Iguaçu (PEFI) I e II — antigo CDR. Serão prestados atendimentos a 24 mulheres por dia, em um trabalho que terá continuidade nas sextas-feiras, seguindo no mês de julho.

A ação terá o apoio de várias forças como as polícias Militar e Federal, em razão do transporte das detentas. "É uma etapa que está se iniciando com o atendimento a médio prazo. Não serão mais aqueles atendimentos feitos esporadicamente. Serão mais constantes para melhorarmos a saúde delas".


Prova tuberculínica

O teste feito pelas equipes dos Programas de Controle da Tuberculose e do HIV/Aids da Atenção Básica da Secretaria de Saúde de Foz e pela 9ª Regional ontem é chamado de prova tuberculínica, que mostra se a pessoa já está contaminada ou não com o bacilo da tuberculose. "Aquelas que estiveram infectadas com o bacilo, depois passarão por outros exames para saber se estão doentes. Isso porque nem todas as pessoas que têm a bactéria da tuberculose, estão infectadas, doentes. No Brasil, estima-se que 30% das pessoas estão infectadas. Quando se está numa situação de carceragem, isso é maior. Então, o que estamos fazendo aqui é uma triagem, pode ser que muitos não estejam doentes", explicou o enfermeiro Olauro Raimundo da Silva, coordenador do Programa Municipal de Tuberculose.

No teste, o material é injetado sob a pele. Depois de 48 a 72 horas, os profissionais avaliam uma possível reação local. "Tem alguns que vão ter reação e outros nenhuma reação. As que não tiverem a gente considera que não estão infectadas com o bacilo", concluiu.



Fonte e Foto: A Gazeta do Iguaçu
Edição: 6870 - 31 de Maio de 2011
Reportagem: Nelson Figueira