quinta-feira, 8 de julho de 2010

CNJ faz sugestões para aprimoramento do sistema carcerário do PR

Conselho faz sugestões para aprimoramento do sistema carcerário do PR




A construção de novas unidades penitenciárias, a reestruturação das varas de execução penal e a adoção de novas rotinas de trabalho são algumas das propostas feitas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o aprimoramento do sistema carcerário do Paraná. As sugestões estão no relatório final do mutirão carcerário, que apresenta um diagnóstico da Justiça criminal e do sistema penitenciário do estado. O documento foi entregue, na última sexta-feira (02/06) ao presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Carlos Augusto Hoffmann, durante a cerimônia de encerramento do mutirão carcerário em Curitiba. Clique aqui para ver o relatório na íntegra.


O número elevado de presos em delegacias e centros de detenção provisória, em condições precárias de alojamento, excesso de prazo na concessão de benefícios, falta de servidores e material em algumas varas de execução penal e a inexistência de Defensoria Pública no estado são alguns dos problemas apontados no relatório. “Apenados que se encontram em delegacias de polícia e Centros de Detenção Provisória estão desassistidos juridicamente, em condições precárias de alojamento. Em muitos casos, cumprem toda a pena em regime fechado, enquanto já poderiam ter sido favorecidos com progressão para o regime semiaberto ou aberto”, afirma o diretor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do CNJ, juiz Luciano Losekann.

No Paraná, 15,8 mil presos estão sob custódia da Secretaria de Segurança Pública (Sejus) em delegacias, cadeias públicas e centros de triagem, quase sempre superlotados. Alimentação insuficiente, insalubridade, falta de atendimento médico, de espaço para dormir e de vestimentas adequadas para dias frios foram alguns dos problemas encontrados nas inspeções pelos juízes do mutirão. No 12º Distrito Policial de Curitiba, nas celas projetadas para receber quatro pessoas havia, em média, 30 presos. A falta de espaço os obriga a fazer revezamento para dormir. Nas celas não havia chuveiro e apenas um vaso sanitário para os detentos.

Se, por um lado, os presos que estão em unidades da Sejus encontram-se em situação precária, os que estão a cargo da Secretaria de Segurança e Justiça, cerca de 13,7 mil, dispõem de melhor estrutura, em presídios de padrão internacional, segundo o coordenador do mutirão carcerário no Paraná, juiz Éder Jorge. “É preciso acabar com essa dicotomia e concentrar a gestão carcerária em uma única secretaria”, reforça o juiz.

Ressocialização - A oferta de trabalho e de atendimento médico, além da segurança e organização de algumas unidades penitenciárias do estado foram alguns dos pontos positivos destacados no relatório do mutirão. Várias empresas oferecem trabalho dentro dos presídios. Montagem de jornais, jardinagem, produção de bolas, mochilas, móveis são algumas das atividades desenvolvidas pelos detentos. Convênios com órgãos públicos e empresas também permitem a oferta de emprego a pessoas do regime semiaberto. Cerca de 300 presos da Colônia Penal Agrícola de Piraquara ocupam vagas ofertadas por 25 unidades conveniadas, entre elas o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), o Departamento de Estradas e Rodagens, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, a Imprensa Oficial, entre outros.

Varas – A reestruturação das Varas de Execução Penal (VEPs) é outro ponto proposto pelo CNJ. O relatório aponta a falta de funcionários e de material, além de um sistema de informática pouco confiável. “É preciso aprimorar uma série de rotinas cartorárias, assim como promover alterações no Código de Normas da Corregedoria destinado a área de execução penal”, explica Éder Jorge. O Projeto Eficiência do CNJ, que já teve início no estado, visa auxiliar as VEPs na adoção de rotinas mais modernas de trabalho, com o objetivo de dar maior celeridade ao andamento dos processos e à concessão de benefícios. A capacitação de juízes e servidores é uma das atividades prevista no projeto.

A ideia, segundo o coordenador do DMF, é evitar excessos de prazo verificados pelo mutirão. Em um dos casos analisados pela equipe, uma mulher grávida estava presa havia 240 dias, sem que tivesse sido iniciada a instrução processual. A inexistência de Defensoria Pública no estado é outro problema que contribui para o atraso na concessão dos benefícios. De acordo com Losekann, cinco Centros de Detenção Provisória deverão ser construídos no estado, com recursos do Executivo Federal, por meio da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), o que contribuirá para a eliminação das carceragens em delegacias.


MB/MM

Agência CNJ de Notícias

Em votação - Remissão da Pena Pelos Estudos

Comissão de Educação pode votar projeto que autoriza remissão da pena pelos estudos




O condenado que cumprir a pena em regime fechado ou semiaberto poderá reduzir parte do tempo de execução de sua pena através do estudo. É o que prevê projeto de iniciativa do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o PLS 265/06, um dos 26 itens da pauta da reunião da Comissão de Educação marcada para a terça-feira (6), às 11h30. O projeto tramita em conjunto com o PLS 164/07, do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e com o PLS 230/08, do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).


O texto que deverá ser analisado pela Comissão de Educação altera a Lei de Execução Penal para incluir a hipótese de remissão de pena também por meio do estudo. Atualmente tal redução somente é possível através do trabalho. O projeto estipula que a cada cinco dias de estudo, o preso poderá se livrar de dois dias de pena. Fica vedada, porém, a cumulação, no mesmo período, da remissão pelo trabalho e pelo estudo.

- A valorização do estudo no âmbito das prisões constitui medida necessária, não apenas para enfrentar a baixa escolaridade média dos condenados, mas também para evitar sua ociosidade e, por conseguinte, contribuir na luta contra a infiltração do crime organizado nesses ambientes. Além disso, propicia o desenvolvimento de valores da cidadania, de forma a favorecer a reintegração do condenado ao convívio social em situação de liberdade - justifica o senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB), que é o relator da matéria.

Roberto Cavalcanti apresentou parecer favorável ao projeto de Cristovam, na forma de um substitutivo, e sugeriu que sejam consideradas prejudicadas as propostas de Mercadante e Jarbas Vasconcelos. Ele aproveitou sugestões do ex-senador Expedito Júnior e do senador Flávio Arns (PSDB-PR). A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) decidirá de forma terminativa sobre a proposta.


Por: Roberto Homem

Fonte: Agência Senado

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mutirão carcerário do Paraná concede 1.960 liberdades

Mutirão carcerário do Paraná concede 1.960 liberdades




Ao todo 1.960 pessoas foram libertadas como resultado do mutirão carcerário realizado no Paraná. Coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o mutirão revisou mais de 20 mil processos de presos provisórios e condenados que cumprem pena no Estado, no intuito de garantir o cumprimento da Lei de Execuções Penais. Os resultados do trabalho foram apresentados nesta sexta-feira (02/07), em cerimônia realizada no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), em Curitiba. A solenidade contou com a participação do diretor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do CNJ, juiz Luciano Losekann, e da conselheira Morgana Richa.

“O Paraná foi o estado onde encontramos um dos maiores desafios, devido ao grande número de apenados”, destacou Losekann. A população carcerária do Estado é de, aproximadamente, 29.500 presos. Desse total, a maior parte, 15,8 mil, está sob custódia da Secretaria de Segurança Pública, em delegacias, cadeias públicas e centros de triagem, em condições precárias e sujeita aos problemas decorrentes da superlotação. Atualmente, há um déficit de 9.011 vagas no sistema carcerário paranaense.
Segundo o coordenador do mutirão carcerário no Paraná, juiz Éder Jorge, a diferença entre o tratamento dado aos presos que estão sob responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública (cadeias, delegacias) e àqueles que se encontram em unidades prisionais da Secretaria de Justiça é um dos grandes problemas no Estado. “De um lado temos uma das maiores populações carcerárias do Brasil em delegacias que conta com péssimas condições e, de outro, presídios de padrão internacional”, explica o juiz. A construção de novas unidades prisionais, o tratamento da questão carcerária em uma única secretaria e a reestruturação de varas criminais e de execução penal são algumas sugestões feitas por Éder Jorge para melhorar o sistema no Estado.

Benefícios - Desde fevereiro, o mutirão carcerário concedeu mais de 3.500 benefícios previstos na Lei de Execuções Penais a pessoas que cumprem pena no Estado. Os benefícios incluem, além das liberdades, progressão de pena, direito a trabalho externo, visita periódica ao lar, etc. Ao todo, 1.219 pessoas passaram para o regime semiaberto e 727 para o aberto. O trabalho contou com a participação de 37 magistrados e 85 servidores, além de advogados, promotores, entre outros. Na cerimônia, o presidente do TJPR, desembargador Carlos Augusto Hoffmann assinou uma portaria em homenagem aos juízes e funcionários que contribuíram com o mutirão.

“O mutirão é um olhar para dentro, que fez com que o Judiciário e o Brasil dessem a devida atenção às questões relacionadas à criminalidade que ficaram, por muitos anos, varridas para debaixo do tapete”, salientou a conselheira do CNJ Morgana Richa. Segundo ela, o projeto faz um diagnóstico do sistema prisional e de Justiça Criminal para que sejam tomadas providências concretas. O coordenador estadual do mutirão, juiz Plínio Augusto Penteado de Carvalho, lembrou que 2010 é o Ano da Justiça Criminal, e que, nesse contexto, o mutirão busca a melhoria da prestação judicial. “A Justiça criminal é a que nos dá a segurança para sair nas ruas, por isso é preciso corrigir as deficiências e torná-la mais ágil e eficiente, assim como dar condições de custódia com dignidade”, observou Carvalho.

No Paraná, além da parceria do TJPR, o projeto também contou com o apoio das Secretarias de Estado de Justiça e Cidadania (SEJUS) e de Segurança Pública (SSP), bem como da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Comando da Política Militar, Polícia Civil, Justiça Federal e Justiça do Trabalho. O mutirão carcerário do CNJ já atendeu 23 estados brasileiros, resultando na soltura de mais de 20 mil pessoas que estavam presas irregularmente.
Nesta segunda-feira (05/07) o projeto terá início no Distrito Federal e em agosto será levado a Minas Gerais. O juiz do Paraná, Carlos Alberto Ritzmann, que participou da coordenação do projeto no Estado foi convidado pelo CNJ a contribuir com os trabalhos que começam na próxima semana no DF.


Fonte: Agência CNJ de Notícias

Presos fazem doação de alimentos para desabrigados

Presos fazem doação de alimentos para desabrigados pela chuva em PE


Segundo o governo estadual, eles renunciaram a um dia de alimentação.
Detentos renunciaram a um dia de alimentação em duas unidades prisionais.


Voluntários fazem triagem dos donativos oferecidos por detentos de duas unidades prisionais de Pernambuco (Foto: Divulgação/Paulo Almeida/Ascom)


Cerca de 5,5 mil detentos da Penintenciária Agroindustrial São João e do Presídio Professor Aníbal Bruno, em Pernambuco, participaram das doações de alimentos e produtos de higiene pessoal para as vítimas das enchentes no estado, nesta terça-feira (29). Segundo a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres), os presos renunciaram a um dia de alimentação na carceragem para oferecer ajuda aos desabrigados e desalojados pela chuva.



Entre os produtos estão alimentos e produtos de higiene pessoal (Foto: Divulgação/Paulo Almeida/Ascom)

Ao todo, foram arrecadados mais de 1,6 tonelada de donativos nas duas unidades. O material foi levado, nesta terça-feira (29), para a central de arrecadação do Quartel da Polícia Militar, no Recife. Os produtos serão distribuídos para as famílias que perderam tudo.

Parte dos donativos foi oferecido pelos parentes dos presos.


Fonte: G1, São Paulo em 30/06/2010

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Presos e ex-detentos poderão tirar Carteira de Trabalho

Presos e ex-detentos poderão tirar Carteira de Trabalho
 




O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vão viabilizar a emissão de Carteira de Trabalho para presos e egressos libertados pelos mutirões carcerários realizados nos estados. A medida faz parte do programa Começar de Novo, do CNJ, que visa à reintegração social e no mercado de trabalho de presos e ex-detentos. 

Segundo o conselho, a emissão do documento também vai beneficiar pessoas que cumprem penas alternativas e adolescentes em conflito com a lei libertados pelos mutirões ou participantes do Começar de Novo. 

Será feita uma cartilha com orientações para os detentos e egressos sobre legislação, obrigações e direitos do trabalhador. A oferta de cursos de qualificação social e profissional para os apenados e a criação de vagas de trabalho são outros pontos previstos no acordo. As vagas de curso e emprego oferecidas pelo Ministério do Trabalho serão incluídas no Portal de Oportunidades, disponível no site do CNJ.

Hoje, o Portal de Oportunidade oferece 1.346 vagas de emprego e outras 1.265 em cursos de capacitação para presos e ex-detentos.


Fonte: Agência do Brasil