
Distritos policiais e cadeias públicas do Paraná abrigam 43% de toda a população carcerária do estado
Para o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Paraná
(Sipol), Roberto Ramires Pereira, o acondicionamento de presos em locais
inadequados está diretamente relacionado às rebeliões e à percepção de um
aumento no número de fugas. O fato de delegacias servirem como presídio de
maneira sistemática é o ponto mais preocupante, em sua opinião. “Os bandidos
sabem da precariedade do sistema e agem na certeza da impunidade”, diz.
Patricia Pereira
A Polícia Militar capturou na tarde de ontem um dos fugitivos da delegacia de polícia de Campina Grande do Sul e mais cinco pessoas que teriam promovido a ação criminosa que resultou na fuga. A delegacia foi invadida por pelo menos dez homens armados com pistolas e armas longas.
Depois de render os dois policiais de plantão, os criminosos foram até as celas e libertaram seis presos. Depois arrombaram salas da delegacia. O grupo levou ainda duas espingardas calibre 12 e um rádio utilizado para a comunicação pela polícia.
Na tarde de ontem, um foragido e cinco suspeitos foram encontrados em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, segundo o capitão da PM Márcio Machado. A polícia recebeu uma denúncia anônima informando que havia um Golf na cor preta, com integrantes da quadrilha. O carro foi localizado e, dentro dele, quatro homens, que portavam uma pistola calibre nove milímetros e três espingardas calibre 12, além de um colete balístico.
Na sequência, os policiais encontraram os outros dois suspeitos em uma residência em Piraquara. A identificação oficial deve ser feita somente hoje. A polícia continua na procura dos outros cinco fugitivos.
Superlotação
A carceragem onde estavam os presos tem capacidade para entre 10 e 15 pessoas, segundo os policiais, mas abrigava 39 no momento da invasão. Com a fuga, a delegacia tem agora 33 presos.
O presidente do Sipol afirma que é fundamental a organização do governo para
a construção de novos presídios, ainda que à custa de aumento de impostos. “É um
preço que a sociedade tem de pagar. Há 25 anos o governo só oferece paliativos.
Quanto tempo mais esperaremos?” Pereira ainda diz que os investigadores de
polícia trabalham desmotivados porque não conseguem exercer a função para a qual
foram aprovados em concurso público. “Os novos policiais vêm e me dizem que a
maior vontade deles é uma coisa bem simples, investigar, mas não conseguem
porque têm de cuidar de preso”, afirma.
Interdição sem efeito
A Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba foi interditada no último dia 5 pela Vigilância Sanitária. No entanto, segundo o diretor de Saúde Ambiental da prefeitura, Luiz Antônio Bittencourt Teixeira, há poucas possibilidades de que o lugar realmente deixe de abrigar presos. A Vigilância Sanitária enviou o ofício de interdição para a Vara de Execuções Penais e Corregedoria dos Presídios.
“Como técnico, nós fazemos o que temos de fazer, porque o local não tem condições. Mas eu até entendo que não haja interdição de fato. Onde vão colocar os presos?” Segundo Teixeira, a delegacia abriga inclusive presos condenados.
Teixeira afirma que em 2008 e 2009 realizou outras três interdições em delegacias de Curitiba, sempre sem efeito prático. “É uma situação conjuntural que vai muito além de nossa alçada. Não é um problema de Curitiba, nem do Paraná, é de todo o Brasil.”
Publicado em 19/09/2012 | André Simões, especial para a Gazeta do Povo
Reação da polícia
PM prende fugitivo e cinco suspeitos de terem promovido resgatePatricia Pereira
A Polícia Militar capturou na tarde de ontem um dos fugitivos da delegacia de polícia de Campina Grande do Sul e mais cinco pessoas que teriam promovido a ação criminosa que resultou na fuga. A delegacia foi invadida por pelo menos dez homens armados com pistolas e armas longas.
Depois de render os dois policiais de plantão, os criminosos foram até as celas e libertaram seis presos. Depois arrombaram salas da delegacia. O grupo levou ainda duas espingardas calibre 12 e um rádio utilizado para a comunicação pela polícia.
Na tarde de ontem, um foragido e cinco suspeitos foram encontrados em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, segundo o capitão da PM Márcio Machado. A polícia recebeu uma denúncia anônima informando que havia um Golf na cor preta, com integrantes da quadrilha. O carro foi localizado e, dentro dele, quatro homens, que portavam uma pistola calibre nove milímetros e três espingardas calibre 12, além de um colete balístico.
Na sequência, os policiais encontraram os outros dois suspeitos em uma residência em Piraquara. A identificação oficial deve ser feita somente hoje. A polícia continua na procura dos outros cinco fugitivos.
Superlotação
A carceragem onde estavam os presos tem capacidade para entre 10 e 15 pessoas, segundo os policiais, mas abrigava 39 no momento da invasão. Com a fuga, a delegacia tem agora 33 presos.
Interdição sem efeito
A Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba foi interditada no último dia 5 pela Vigilância Sanitária. No entanto, segundo o diretor de Saúde Ambiental da prefeitura, Luiz Antônio Bittencourt Teixeira, há poucas possibilidades de que o lugar realmente deixe de abrigar presos. A Vigilância Sanitária enviou o ofício de interdição para a Vara de Execuções Penais e Corregedoria dos Presídios.
“Como técnico, nós fazemos o que temos de fazer, porque o local não tem condições. Mas eu até entendo que não haja interdição de fato. Onde vão colocar os presos?” Segundo Teixeira, a delegacia abriga inclusive presos condenados.
Teixeira afirma que em 2008 e 2009 realizou outras três interdições em delegacias de Curitiba, sempre sem efeito prático. “É uma situação conjuntural que vai muito além de nossa alçada. Não é um problema de Curitiba, nem do Paraná, é de todo o Brasil.”
Publicado em 19/09/2012 | André Simões, especial para a Gazeta do Povo
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